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A VOLTA DO HOMEM QUE QUERIA SER RITA CADILAC

Parece nome de western pornô gay spaguetti. Mas não é. Trata-se de uma produção teatral da lenda Wilton Andrade, o Wiltão. Márcio Américo escreveu o texto especialmente para ele. Gabriel Pinheiro aceitou a responsa de dirigir a lenda. Marcelo Montenegro topou fazer a trilha sonora. Ele reuniu alguns amigos atores, e eis que surgiu essa peça que já é um cult indiscutível. Eu, de minha parte, sempre fico na platéia rindo pra caralho. Wiltão interpreta um sujeito que é fã da Rita Cadilac, e que resolveu que vai ficar rico pra dar boa vida à sua musa. Resolve então assaltar um banco, e o que acontece daí pra frente só vendo. Além de Wiltão, o elenco ainda conta com Thiago Pinheiro (Sim, meus amigos, ele é irmão do Diretor - sacaram o nepotismo? E é o garoto do onipresente clip do CPM 22 - aquele que fica puto da cara e resolve sair quebrando tudo - acho que ele ficou puto de tanto ouvir a música dos caras), Ailton Rosa (o único, o Jacaré da Turma do Gueto), o iniagulável Marquinhos Arroba que dispensa apresentações e o Genial Batata (Walter Figueiredo) intepretando o Jotalhão, o sujeito que fica um pouco mais do que "amigo" do Wiltão na cadeia. Como se vê, trata-se de um elenco de estrelas. Os caras vão estar essa noite reestreando esse espetáculo que já é um clássico. Eu diria que é imperdível, mas creio que vocês já entenderam que foi isso mesmo que eu disse.
O HOMEM QUE QUERIA SER RITA CADILAC
Estréia hoje
Teatro X ( Praça Roosevelt, 124 )
Tel : 3255-2829
Quartas e quintas
21h
Ingressos : R$ 10,00
Escrito por Cemitério de Automóveis às 01h57
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BYE, RIO
Foi du caralho. Um mês no Rio de Janeiro. Levamos um pequeno repertório de cinco espetáculos. O convite partiu dos amigos Roberto Alvim e Luciana Borgui, numas de inaugurar o Projeto de Dramaturgia que eles estão implantando no Teatro Ziembinski. E acho que a nossa contribuição foi muito maneira. Vários espetáculos totalmente lotados. Alguns com rapaziada de fora sem conseguir entrar. E a fama do Ziembinski era do teatro ser a mó "caveira de burro". Não foi bem assim. Pelo menos não foi com a gente, e espero que continue assim daqui pra frente. Queria agradecer a toda a rapaziada do teatro que é gente boa pra caralho (técnicos, seguranças, administração, rapaziada da cantina) e ao Roberto e à Luciana. E também aos amigos Antonio Pedro e Ricardo Petraglia que numas de camaradagem explícita, aceitaram participar das apresentações de "Medusa de Rayban". Foi du caralho. Deixo aqui uma carta-análise do amigo e dramaturgo Jarbas Capusso, que esteve no Rio de Janeiro e assistiu o espetáculo "Homens, Santos e Desertores".
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Marião é o seguinte: Há pessoas que torcem por uma herança. De um tio velho, distante, desses que ninguém se lembra mais que existe. Quando morre, deixa uma graninha no banco, um carro, um terreno. Qualquer bosta que dê uns trocos que dê pra tirar o pé da merda por uns tempos. Como existem pessoas que acreditam na felicidade a qualquer custo. Pode ser uma análise, uma religião, livros de auto-ajuda e até, casos patológicos e perdidos, de gente que lê Paulo Coelho e acha que vai ser feliz. Fazer o quê? Mas tem pessoas que ganham um outro tipo de herança. Dessas que não tem como recusar. É compulsório. Bem, assisti HOMENS, SANTOS E DESERTORES, aí no Rio de Janeiro. Na peça, um garoto que não se encaixa em lugar algum do planeta. Tem um pai ausente e desconectado da família. Uma mãe que trepa até com seus colegas de escola. Ele mesmo, sem chances com as mais bonitas da turma. Descobre um abrigo (um misto de campo minado e bunker) de um veterano outsider, que vive isolado com seus livros. Pois bem. Este veterano começa a apresentar o seu universo de dor e desesperança a esse garoto. Um universo beat no fígado. Como? Primeiro, através dos livros. Como que armando e preparando sua alma pra batalha que está por vir. Aos poucos, ele descobre que a vida não é bela porra nenhuma e nem adianta esboçar um sorriso. Está pego. Você consegue mostrar nesse seu espetáculo toda a realidade que nos cerca. A mentira cortante e incompetente da humanidade. (eu mesmo, tenho restrições com esta palavra). Num crescendo é como se esse veterano estivesse ensinando boxe a este garoto e que, é pro garoto ficar esperto, porque o adversário só bate abaixo da linha da cintura e mete os dentes na orelha. Que não adianta chamar o juiz porque o cara é comprado. E não vai ter pomada pra por nos supercílios. A tendência é sangrar até morrer. O veterano, por sua vez, percebe que a sua própria luta já está no décimo segundo round. Não foi a nocaute, mas o seu velho baço já não agüenta tanta porrada. As velhas pernas já estão dando sinais de cansaço. E a bílis, densa e amarga, já tomou todo o seu esôfago. Há tempos. Mas ele precisa, antes de terminar o round, passar o bastão. E o garoto está lá para isso. Não é o caso de se achar que o veterano é um filho da puta e que está só afim de foder esse garoto. Nada disso. Por ele, o garoto teria outro destino. Menos perturbador e solitário. O veterano é só é o inventariante. O garoto já chegou pronto. Sua alma já está premiada. E que ele vai dar continuidade a esta luta, verdadeira e inglória. Ou como diria o Cazuza: sem podiuns de chegada ou beijos de namorada. Resumindo: o veterano só tem a função de colocar colírio nos olhos, ainda embaçados, desse garoto. Não conheço toda a sua obra Marião. Mas do que conheço e do que a gente já conversou, esse texto, além de ser o seu melhor é, na minha modesta opinião, a síntese do que já vi desta obra e de você. Só pra finalizar, quem está acostumado com os seus espetáculos rock and roll e bluseiros, vai se surpreender com um espetáculo (xinga não, brother) sensível e pra lá de espiritual, se é que você me entende. Abraço grande, cara.
Jarbas Capusso
Escrito por Cemitério de Automóveis às 07h17
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