DIÁRIO DA MOSTRA 4
Finalmente consegui fechar a Programação e elenco da Mostra. É claro que sempre podem acontecer modificações de última hora. Mas por hora, ela tá pronta. O Centro Cultural tá pressionando a gente. Eu os entendo. Para definir os elencos, tive que levar em conta uma série de fatores. Queria me desculpar com os amigos que porventura não consegui escalar. Há uma série de atores que me ligam querendo participar da Mostra. O problema é que a Mostra este ano vai ser apenas uma pequena Mostra de Férias com 14 peças. A maioria delas, já com elenco mais ou menos definido. Havia pouca oferta de personagens. Gostaria muito de trabalhar com uma porrada das pessoas que me ligaram e gostaria de agradecer a prontidão que todos eles tiveram pra encarar o trampo. Mas na real, foi difícil pra caralho escalar o elenco dessa Mostra, mesmo porque o tempo para ensaios praticamente inexiste. Então tive que chamar uma rapaziada (em sua maioria) com que eu já estou acostumado a trabalhar e que entendem o meu ritmo. Dia 05 estaremos estreando com "Medusa de Rayban". Essa foi a primeira peça com que o Grupo ganhou alguma repercussão em São Paulo. Lembro que a gente apresentava às terças e quartas no Centro Cultural São Paulo e de repente começou a lotar, sem nenhuma divulgação na imprensa. Foi durante a temporada desse espetáculo que a gente conheceu por exemplo, caras como Marcelo Montenegro, Negão, Batata e Presidente. Foi um marco. O ´Níveo que estava nesse elenco, vai atuar nessa Mostra no mesmo personagem que ele fazia. Depois a gente foi trabalhar juntos em "Santidade" com direção do Fauzi Arap. Era um elenco genial que tinha entre outros, o melhor ator que eu conheço que é o Everton Bortotti, o genial e impagável Márcio Américo, a lenda Clóvis Bezerra e o imprescíndivel Robocop. Mó saudades desse elenco du caralho. Antes de "Medusa de Rayban", a gente só tinha feito em São Paulo uma temporada quase obscura de "Leila Baby" onde eu contracenava com a atriz Ika Romagnoli que hoje está morando no Nordeste. O elenco que vai atuar nessa montagem de "Medusa de Rayban" é esse aí:
Dias 05 e 06/07 – 21h
MEDUSA DE RAYBAN
Os assassinos profissionais Jack Daniels e Johnny Walker as voltas com problemas corriqueiros como melhores garantias de trabalho. Um deles chega a ser entrevistado em um talk show como uma celebridade qualquer paparicada pela mídia. Uma sátira a violência urbana que cada dia que passa, está ficando mais banalizada pela mídia e pelos orgãos de comunicação.
Indicado para o Prêmio Shell de "Melhor Texto" de 1.996.
O ator Everton Bortotti ganhou o Prêmio Mambembe de "Melhor Ator Coadjuvante" por sua interpretação de Johnny Walker.
Elenco :
Wilton Andrade : Leitor, Psicólogo, Puta e Refém
Zé Carlos Machado : Diretor
Niveo Diegues : Hell
Nelson Peres : Johnny Walker
Mário Bortolotto : Jack Daniels
Jairo Matos : Apresentador e Pai
André Cecato : Baby Face
Lavínia Panunzio : Dinamite
Gabriel Pinheiro : Haroldo
Flávio Vajman : Músico
Texto e Direção : Mário Bortolotto
Sonoplastia e Iluminação : Mário Bortolotto
Operação Técnica : Marcelo Montenegro
Cenotécnica : Régis Santos
A saudosa Maria Lúcia Pereira um dia escreveu sobre a peça:
"Gerada pelo nosso tempo, essa pequena e sintética virtual obra de arte é aparentada aos filmes de Quentin Tarantino: reflete, em óculos espelhados, o horror gerado pela Medusa da violência. Segundo Bortolotto, só ao enxergar-se a violência se extinguirá. Esta é a tese geral da peça. Para expô-la, o autor humaniza os agentes da violência não com valores cristãos como culpa e remorso, que não cabem neles, mas através do afeto, a única possibilidade de salvação do homem, quando um homem se identifica com outro (ainda que pela desesperança), pode haver redenção. Bortolotto dá forma a sua tese através da fragmentação. Sucedem-se pequenas cenas, que comporão o todo na cabeça do espectador. Focos solitários determinam o espaço em preto e branco, que é ao mesmo tempo espaço cênico e espaço urbano, uma metrópole de quadrinhos. O estereótipo de certas figuras também lembra o universo de Will Eisner. A brilhante trilha sonora, além de ajudar a estruturar os fragmentos, também remete a um urbano universal. Ao tratar da violência, esta Medusa do nosso tempo, o espetáculo conseguiu o feito de Perseu: ao refletir a violência, a anula."
(Maria Lúcia Pereira)
Escrito por Cemitério de Automóveis às 10h43
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MUDANÇAS NA PROGRAMAÇÃO
Passei o dia quebrando a cabeça, tentando escalar os elencos da melhor maneira possível. Tá foda pra caralho. E por conta de toda essa dificuldade, tive que fazer algumas mudanças na programação. Ficou assim (por enquanto)
05 E 06/07 - Medusa de Rayban
07 e 08/07 - Dentes Guardados
09 e 10/07 - Kerouac
12 e 13/07 - À Queima-Roupa
14 e 15/07 - Fica Frio (estréia)
16 e 17/07 - Tanto Faz
19/07 - A Frente Fria que a Chuva traz
20/07 - Clavículas
21 e 22/07 - O Homem que queria ser Rita Cadilac
23 e 24/07 - Getsêmani
26/07 - Postcards de Atacama
27/07 - Nossa Vida não vale um Chevrolet
28 e 29/07 - Ovelhas que voam se perdem no céu
30 e 31/07 - Homens, Santos e Desertores
Escrito por Cemitério de Automóveis às 18h31
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DIÁRIO DA MOSTRA 3
Como venho dizendo aqui, foi muito difícil escalar o elenco dessa Mostra, e mais difícil ainda foi definir a programação. Tive que deixar muitas peças de fora. Peças que gostaria muito de estar fazendo. Em primeiro lugar, porque algumas figuras chave dessas peças estavam impossibilitadas de participar da Mostra por conta de outros compromissos profissionais. E em segundo porque a Mostra ficou reduzida à apenas um Mês (Julho), sendo assim, tive que diminuir o número de espetáculos. Há muitos atores que me pedem para participar da Mostra, mas infelizmente não há como trabalhar com todos, já que são apenas 14 peças, e a maioria delas já tem elenco definido. Peço desculpas aos atores por não poder trabalhar com todos. Gostaria mesmo.
Uma das peças que eu não poderia estar apresentando seria Getsêmani. O Napão (Henrique Stroeter) que é o ator principal do espetáculo, vai viajar pra Espanha com um espetáculo do Pia Fraus e eu já havia desistido de fazer o espetáculo na Mostra. Mas ontem tive a feliz idéia de convidar o Eduardo Estrela pra substituir o Napão no personagem. É uma pedreira, mas o Eduardo topou. Selamos o acordo comendo pizza no Esperança tendo por companhia o grande Marcelo Mirisola que abençoou tudo com um bom vinho Concha Y Toro. Genial.
Escrito por Cemitério de Automóveis às 11h19
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DIÁRIO DA MOSTRA II
Depois de quebrar muito a cabeça e analisar todas as possibilidades possíveis, o que foi possível fazer em relação à Programação da Mostra foi o seguinte:
05 E 06/07 - Medusa de Rayban
07 e 08/07 - Dentes Guardados
09 e 10/07 - Kerouac
12 e 13/07 - Ovelhas que voam se perdem no céu
14 e 15/07 - Fica Frio (estréia)
16 e 17/07 - Tanto Faz
19/07 - A Frente Fria que a Chuva traz
20/07 - Postcards de Atacama
21 e 22/07 - O Homem que queria ser Rita Cadilac
23 e 24/07 - Getsêmani
26/07 - Clavículas
27/07 - Nossa Vida não vale um Chevrolet
28 e 29/07 - À Queima-Roupa
30 e 31/07 - Homens, Santos e Desertores
Escrito por Cemitério de Automóveis às 11h37
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DIÁRIO DA MOSTRA 1
Essa não vai ser a tal "Terceira Mostra Cemitério de Automóveis". Vai ser uma Mostra pequena de apenas um mês. E a gente deve chamar "Férias no Cemitério de Automóveis" ou algo assim. Tá quase impossível fechar a programação da Mostra, mas vou tentando. Algumas figuras chave dos elencos não estão disponíveis, o que complica minha vida de maneira absurda. A Fernanda tá ocupada na peça do Fagundes. O Napão vai viajar pra Espanha. O Laerte também vai viajar e vai estar em cartaz na mesma época. O Xepa ainda não sabe se vai estar disponível ou não. Em resumo, tô ferrado. Mas vou tentando. Hoje tem reunião no Centro Cultural pra definir algumas coisas.
Escrito por Cemitério de Automóveis às 12h17
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