GOBATTO ESCREVE SOBRE "O MÉTODO"
Nosso amigo Roberto Gobatto escreveu sobre a peça "O Método", nova montagem do Grupo "Cemitério de Automóveis" que está em cartaz no Satyros 2 (sextas e sábados às 24h).
O Método.
Estudar é bom, faz crescer e é fundamental. Mas bitolar é uma coisa muito, muito chata. Principalmente para quem esta ao redor não necessitando de aulas grátis. Maior é: Quando o papo rola e você pode ter novos parâmetros para opiniões e opiniões para novos parâmetros também. Por favor, não façam citações, de quem quer que seja. Do pedófilo do Walt Disney ao cérebro mor de qualquer escola.
Vá descobrir. Vá desodorizar o mundo e volta aqui depois com tua persona, toma um conhaque e vamos ficar de bobeira com os olhos grudados na paisagem. Ta indigesto? Quer mais detalhes pra descer melhor? Então vá assistir ao Método. Peça escrita por Mário Bortolotto em 1986. Que rola no Espaço dos Satyros II com direção rock ´n roll da Fernanda D´Umbra. Um texto com Punch, uma guinada Punk que rola pra dentro da cuca no melhor momento “Do you self e não me aporrinha”.
Quando tudo o que você tem é tudo o que você carrega no bolso e na cabeça. Pode abrir o largo sorriso e sacar do que falo. Mas se pra ti guri, é necessário um manual de instruções recorra aos "Críticos" e liste aquela caralhada de “Clássicos” que você precisa ver, assistir e ouvir pra impressionar a moçada da PUC na mesa do bar entre uma Boêmia e salgadinhos Elma Chipps.
O Método tem o dom de te fazer rir de toda a miséria que esse país sem caráter é. De toda a babaquara que cultivamos desde nossa tenra lembrança nesse parque de diversões só para milionários que é o mundo. Não poupa nada. Por que pouparia? Do sonho Marxista, do Power Flower aos preceitos Ronald Regan - Bill Gates - Bush em que estamos "vivendo".
Se comemos feijão com farinha e arrotamos Sandy & Júnior o que fazer a não ser rir disso? Gosto não se discute. Não se debate. Fica com as tuas opiniões eu com as minhas. Se algo se cruzar nessa caldeira daí a gente ri disso também. O Método ri de si mesmo. Os personagens manipulados por seus EGOS e alimentando-os com vento. Não vem com discurso de pregação, muito comum nos palcos e nas mesas de bar por aí. "Olha guri: Isso sim, isso não, isso é IN, isso é OUT". Na real é o oposto. E não é oposição. Acho que é mais: "Olha, tu faz os seus troços ai que eu faço os meus por aqui.".
Agora amigão, se você se leva a sério demais, não assista a essa peça. Ninguém precisa de você ali na platéia emanando sua aura de tédio e suas impressões, que juro, não quero saber quais são. Trí dessa é que O Método te faz levantar da cadeira ao final e ir pra casa com a certeza de que existem pessoas que pouco falam, mas quando falam é por que tem algo a dizer.
Sorte a minha ter assistido a essa peça. Sorte minha ter conhecido o Cemitério de Automóveis antes do fim do mundo. Sorte minha ter uma razão pra curtir o trampo de caras que não se impressionam com tapinhas nas costas e que estão cagando e andando pra auto-afirmação, pro nome estampado em Arial Black no caderno de Cultura do jornal. E EGO, é só um personagem muito engraçado que nos faz rir pra caralho.
Roberto Gobatto
É Magic Time do Van Morrison, acho que não preciso dizer mais nada.
Escrito por Cemitério de Automóveis às 11h21
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