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FAROESTES (ÚLTIMO DIA)

Eu tenho que divulgar aqui. Na verdade a gente não tem quase nenhuma divulgação. E nem patrocínio. Tamos fazendo tudo no mó trampo mesmo, contando com a brodagem da rapaziada que tá envolvida. Pra quem não sabe o Porão do Centro Cultural não possui nenhuma infra de equipamento. Em resumo, a gente tem que alugar tudo: Luz, som, etc. E isso custa uma grana bem foda. E a gente tem que pagar com bilheteria. E como conseguir bilheteria sem divulgação? Essa semana por exemplo, a gente não saiu nem no Guia da Folha. Isso porque tem duas estréias na próxima semana. Assim fica dificil. Eu tenho que forçar a barra aqui no blog mesmo que está sendo um dos poucos lugares onde posso divulgar o que tá acontecendo lá no Porão. E contar com os blogs dos amigos. A Fernanda tá sempre divulgando no dela. E tem todos os Brothers (Maléfico, Pinduca, Randall, Paulo F, Clarah, Robocop, Nelsinho, Jarbas, Pedro Pellegrino, Marcelino Freire, Carola). A gente vai tentando. Hoje é o último dia de "Faroestes". Deixo aqui um texto do Pierre "Maléfico" que assistiu a peça na semana passada:
Conheci o trabalho do Marçal Aquino através do filme Matadores. Gostei muito do roteiro e da direção do Beto Brant. Passei a procurar livros do autor daquela estória na fronteira com personagens fascinantes. O primeiro que achei foi o Miss Danúbio, um livro de contos fininho lançado pela Scritta. Desculpe o clichê, mas foi um morro na boca do estomago. Releio sempre esse livro e gosto de emprestar para os amigos. Depois de mais alguns livros, passei a ver no Marçal a continuação das coisas que eu gosto na literatura do Rubem Fonseca. Ao assistir a adaptação dos contos com o nome Faroestes encontrei aquele clima de quebrada que me é familiar. Biroscas de bairro e tretas da bandidagem fazem parte da minha memória de adolescência. É um mundo que não inspira lirismo, dirão alguns que não conhecem a vida na periferia das grandes cidades. Pois é da bruta vivência desses habitantes da exclusão que o escritor nos apresenta sua visão extremamente lírica. Redundância falar em fidelidade ao original quando se trata de uma adaptação do Mário Bortolotto, pode-se dizer que isso pra ele é uma obsessão. Os detalhes cênicos são simples e eficazes, a iluminação é uma das coisas que eu mais gosto nos espetáculos do Cemitério de Automóveis (e não havia dito isso antes, uma grande falha). Na trilha sonora o bluesman surpreende (não a mim, que fique claro) com Chico Buarque e um João Bosco perfeitos. Não poderia deixar de falar de Jukebox do Genial La Carne, música de quebrada melhor não existe. Cabe ao Flavinho Vajman o clima cinematográfico de algumas cenas da peça, o Homem ataca em vários instrumentos e eu senti ecos de Sergio Leone na minha cachola. No elenco os absurdamente bons André Cecato e Nelson Peres são destaque. Eu tinha visto o Colazzi na outra Mostra, mas aqui ele arrebenta. Venha para esse mundo à parte, dos camaradas nas mesas de metal, das mulheres batalhando, dos segredos inconfessáveis; é imperdível o retrato que o Marçal faz desse universo. Pra mim um retorno aos tempos de adolescente, tão bom como uma cerva gelada na Padaria do Português.
(Pierre "Maléfico" Porpetta)
Serviço: Só Hoje No Centro Cultural SP Na Rua Vergueiro 1000 As 21h Por R$ 15
Escrito por Cemitério de Automóveis às 10h10
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FAROESTES (ÚLTIMOS DIAS)

E essa é a segunda peça que vai se despedir da Mostra. "Faroestes", onde adaptei três contos do Marçal Aquino (Balaio, Santa Lúcia e Matadouro). Tem sido du caralho fazer essa peça de novo. A última vez foi em 2.002. O elenco é muito legal e a peça tem me proporcionado o prazer de trabalhar de novo com o universo do Marçal e com alguns atores que eu já tava a uma cara sem trabalhar. É o que vale.
No Centro Cultural São Paulo (Porão / Sala Ademar Guerra)
Rua Vergueiro, 1.000 (Metrô Vergueiro)
Hoje (Quinta) e Amanhã (Sexta) - 21h
Ingressos : R$ 15

As fotos são de Edinho Kumasaka
Escrito por Cemitério de Automóveis às 11h03
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EFEITO URTIGÃO JÁ ERA

A primeira peça da Mostra que encerrou temporada. Foi ontem à noite com um público bem bacana. Alguns amigos assistiram pela segunda vez. E a gente tem recebido muitos e-mails e coments aqui no blog de pessoas bastante emocionadas com o trabalho. Estamos gratificados então por ter realizado a peça e prometemos voltar com ela assim que for possível. Só não sabemos quando. Mas que foi du caralho até agora, foi.
Deixo vocês com um texto do nosso amigo Randall sobre o espetáculo:
Todas as peças do Mário, eu vou por causa do texto, embora ele seja um ator do cacete - "embora II" eu só tenha percebido todo o seu potencial como ator em "Kerouac", cujo texto não é dele -, e essa não foi diferente. Tenho os 4 livros de peças do Mário e já li todas. Não raro solto um "putaquipariu" baixinho ao ler uma parte de alguma peça, e fui pra "Efeito Urtigão" por causa do texto, mais uma vez.
Mas vem cá, existe coadjuvante numa peça só com 2 personagens? Sou acusado de fazer perguntas cretinas, mas nesse caso eu justifico pra quem ainda não viu a peça, que minha dúvida resulta na impossibilidade de dizer que o Picanha é um coadjuvante - com todo o respeito aos coadjuvantes, de Mercúcio ao Sancho Pança -, pois ele simplesmente dá um show!
Mr. Flóóóóórida! Eu reli a peça um dia antes de assisti-la e pensei em como o personagem do Picanha era mala. Mas saí da peça pensando como o personagem era do caralho! Ando pensando em ver de novo, assim como eu penso em ver de novo todas as peças do Mário, mas se eu ainda não tivesse assistido, iria ver Efeito Urtigão no Centro Cultural São Paulo, às 21 horas, 15 paus o ingresso.
(Randall Neto)
 
Como já expliquei pro Randall, o Picanha não é coadjuvante. Os dois personagens tem o mesmo peso e influenciam da mesma maneira no andamento do espetáculo. Quem conhece os meus textos, sabe que mesmo nas peças com elencos grandes (vide "O que restou do Sagrado" por exemplo), os personagens costumam ter um peso parecido. É só isso.
As fotos são de Edinho Kumasaka
Escrito por Cemitério de Automóveis às 11h02
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EFEITO URTIGÃO (ÚLTIMO DIA)

EU, OS CAMARINS DO TEATRO GAÚCHO, A FERNANDA, O MARIÃO E O CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS
Eu sempre tive um pouco de trauma com teatro. Porque eu cresci no meio do teatro gaúcho. Dentro do teatro gaúcho, pra ser mais exata. Dormindo no camarim do teatro gaúcho. Que era de uma afetação sem tamanho. Umas coisas horríveis. Umas coisas boas perdidas no meio, como a peça do meu pai, que já dura 24 anos e é incrível, mas ninguém consegue exatamente categorizar como uma peça ou um show com personagens. Mas enfim. Eu tinha problemas com o teatro. E meus problemas pioraram quando fizeram aquela peça equivocada do meu Máquina de Pinball. Desculpe, mas eu não gostei. Sim, é lisonjeiro fazerem uma peça com o seu livro. Especialmente da maneira que aconteceu. O Antonio Abujamra encontrou o original antes de ser publicado no trailler do meu pai, quando eles estavam filmando juntos, sem saber de nada que era de filha de ninguém, caiu de amores pelo texto e quis. Fez inclusive o prefácio. Porra, legal pra caralho. Só que, pelo que eu percebi, não foi ele quem montou a peça. E Os Outros foderam o meu livro de modo que eu quase pari durante a estréia, de puro desgosto. Aquilo não tinha nada a ver comigo. Nada. Era quase o oposto de mim e do meu pobre texto, inclusive. Mas tudo bem, passou. Passou muito tempo, eu pari naturalmente sem nenhum desgosto depois.
E aí eu conheci o Marião, a Fernanda e o Cemitério de Automóveis. E tudo mudou. Aplaudi de verdade pela primeira vez. Não tem afetação. Não tem gente pensando "ok, agora eu vou atuar" e fazendo cara de ator. Eu odeio gente que faz cara de ator. Eu odeio afetação. Eles não têm nada disso. É um povo que - valha-me DNA hippie da porra - está na mesma vibração que eu. Eu ainda estou aprendendo. Não aprendendo a gostar. Eu já gosto. Aprendendo a ver mesmo. Só nas duas últimas semana eu vi mais peças do que nos últimos seis anos. E gostei de todas. Eu não sei nada de teatro. De dramaturgos. Eu sento lá na Praça Roosevelt e fico escutando. E às vezes chega um.
- Oi, você é atriz?
Sempre tenho vontade de responder que não, sou atroz. Mas estou aprendendo a ser educada.
- Não. Eu sou escritora.
- Ah! Você escreve para teatro?
Porque todo mundo ali, ou quase todo mundo, orbita nesse universo. Quer dizer, faz parte dele. Quem orbita sou eu, com aquele meu copo de cerveja de pedinte pelas mesas dos amigos.
Não, eu não escrevo para teatro. Mas acho que poderia. Vou continuar meu intensivo de peças boas e ver se aprendo. Aí eu tento.
De qualquer maneira, se eu fosse você, aproveitava e ia na IV Mostra do Cemitério de Automóveis, que está acontecendo no CCSP. Semana passada eu vi "Efeito Urtigão", com o Marião e o Paulo de Tharso, mais conhecido como Picanha, grande cara. Texto foda. Peça foda. Altamente recomendada. Um cara amargo, sensível e puto com as coisas do jeito que são se isola nas montanhas ou sei lá onde e um outro, seu ex-melhor amigo que seguiu a carreira de jornalista que os dois tinham, aparece por lá sem avisar. Nada mais digo. Quer dizer, digo: é a última semana e eu não perderia se fosse você.
(Clarah Averbuck)
A peça conta o encontro de dois amigos e não há memória entre eles. Há, antes, coisa roída. Doída. Incomunicável. O tempo presente é um tempo pesado. Sei lá. Mário elabora até a exaustão (e também em outras de suas peças) esse dilema sem solução. Essa nossa existência mingüada. Enfim, assado. Comprova, mais uma vez, o artista que é. Ao lado do surpreendente Paulo "Picanha" de Tharso - esse, desses atores nascidos prontos. Como bem falei de uma outra vez: no tempo certo. Ou: no ponto.
(Marcelino Freire)
Escrito por Cemitério de Automóveis às 14h14
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